A longevidade de uma empresa é excecional. Não apenas nas empresas familiares, mas em geral; porém, vamos centrar-nos nas empresas em que o fundador optou por envolver a sua família no projeto.
No livro Empresa Familiar: Nem tão pequena, nem tão jovem, analisámos 1.275 empresas familiares espanholas. 48% tinha menos de 30 anos e outros 38% encontravam-se entre os 30 e os 60 anos. Apenas 9% tinha ultrapassado os 60 anos e apenas 5% ultrapassava os 90.
Ou seja, 86% das empresas familiares estudadas tinha menos de 60 anos.

A idade de uma empresa não coincide necessariamente com uma geração familiar, mas os dados mostram algo que a experiência confirma: chegar à terceira geração já é difícil; continuar a avançar para a quarta e seguintes é ainda mais excecional.
Porquê?
Tendemos a pensar imediatamente nos conflitos. Irmãos desavindos, primos que discordam sobre os dividendos, disputas pela propriedade, integrações de familiares mal resolvidas…
No entanto, nas gerações mais avançadas surge outro inimigo muito mais silencioso: a indiferença.
Os irmãos cresceram juntos. Partilharam pais, casa, memórias e, muitas vezes, conheceram diretamente o fundador. Os primos partem de uma realidade diferente. Cresceram em famílias distintas, podem viver em cidades ou países diferentes e desenvolver profissões que nada têm a ver com a empresa. Nada disso constitui um problema sério.
O problema começa quando a empresa deixa de ser um projeto e passa simplesmente a ser um ativo herdado.
Então surgem sinais fáceis de ignorar.
Alguns proprietários conhecem pouco o negócio.
As reuniões familiares interessam cada vez menos.
Pergunta-se pelos dividendos, mas pouco pela estratégia.
A propriedade começa a ser vivida como algo que chegou por herança, sem que ninguém tenha explicado suficientemente o que significa nem que responsabilidades implica.
Não há conflitos. Há distância. E uma propriedade distante pode acabar por ser uma propriedade frágil.
Na terceira geração já não podemos esperar que a coesão nasça espontaneamente da convivência. É preciso construí-la. Isso exige informação, formação e participação. Exige que os jovens conheçam aquilo que possuem, de onde provém e que responsabilidade implica. E também que descubram que podem contribuir para o projeto familiar, mesmo que nunca trabalhem na empresa.
O compromisso não se herda juntamente com as ações. O sentimento de pertença também não pode ser imposto. É preciso conseguir que cada nova geração encontre as suas próprias razões para querer continuar.
Aqui surge a pergunta-chave:
Ainda nos importa o suficiente este projeto para querermos construir juntos o seu futuro?
Porque uma família empresária não desaparece apenas quando os seus membros entram em conflito. Também pode desaparecer quando deixam de ter razões para continuarem juntos.

Josep Tàpies é Professor Emérito de Direção Estratégica do IESE Business School, doutorado em Engenharia Industrial pela Universitat Politècnica de Catalunya (UPC) e Mestre em Administração de Empresas.
Este artigo foi escrito por Josep Tapiès, no blog do IESE, em 2026/09/15.
Com a sua permissão, que agradeço, esta reprodução traduzida, imagens e destaques a negro, cor ou com pontos, são de minha responsabilidade.
